Noites Calientes

O sol já havia se escondido por detrás dos prédios da cidade. Do sul vinha um vento frio que fazia estremecer o corpo dos transeuntes. Zé caminhava pela rua meio sem rumo, a procura de alguém ou de algo que lhe fizesse esquecer as agruras e amarguras de uma travessia marítima conturbada. O navio havia jogado muito na noite anterior e Zé ainda estava meio mareado. Seu caminhar era trôpego e a visão, típica dos marujos pouco acostumados a longas travessias. Ao norte a lua dava mostras que iria surgir cheia e brilhante, pois ainda não era visível, mas seu clarão iluminava o horizonte como um potente holofote.
José Alberto seguia absorto em seus pensamentos. De repente, um som, como o estouro de uma boiada o fez girar nos calcanhares. À sua direita surgiu uma turba, composta de homens que caminhavam apressadamente, rumo ao ponto do ônibus, provocando uma enorme algazarra. Zé foi envolvido pela multidão e sem que pudesse evitar, foi levado pela enxurrada, para dentro de um ônibus.
O coletivo partiu rumo ao incerto, pois Zé não sabia para onde ia o tal Buzu. Espremido entre um negão forte e o ferro de um banco, Zé sentia uma dor enorme, sua vontade era saltar do ônibus, mas como? Se nem ao menos queria entrar.
Após alguns freios de arrumação a coisa foi melhorando e depois de quase uma hora de viagem, o coletivo parou. Zé desesperado gritava – espera ai que eu vou descer. O ônibus todo em coro respondeu – nós também seu bosta. Sim, era o fim da linha. Zé da forma que entrou saiu do coletivo.
Zé sai caminhado, a procura de um local, onde pudesse tomar umas e outras. Numa esquina a lanchonete está repleta de homens e mulheres. Zé fica animado, afinal, depois de chacoalhar por quase uma hora no maldito ônibus, havia encontrado sinais de civilização (mulheres). A alegria do velho Naval era visível, pois já estava cansado de praticar cinco contra um. Agora era diferente, eram mulheres.
O boy foi logo atacando - olá, como vai? Posso sentar? A mulata observou aquele rapaz de cima a baixo e disse – claro meu fofo, aliás, eu estava mesmo te esperando. Lilá era uma mulata (a lá índia) que possuía um corpo maravilhoso, lábios carnudos sensuais e sex, pele lisa como uma garrafa de Brama (casco escuro) e nádegas volumosas e fartas. Zé subia pelas paredes de tanto tesão – você não me leve a mal, mas posso pegar na sua mão? - Claro meu fofo, sou toda sua. Zé por pouco não ejacula nas calças. Desce um Campari – uma dose? Pergunta o garçom – não, uma garrafa – responde Zé.
A noite foi uma criança, os pombinhos bailaram, beberam, se beijaram e lá pelas tantas, Zé fez a clássica pergunta – vamos? A resposta vocês já sabem – claro meu fofo.
O cafôfo era pequeno, mas bem organizado. Zé tirou a roupa e se deitou na cama. Lilá apagou a luz e se aninhou ao seu lado. Na vitrola (disco de Vinil, lembram?) uma voz que cantava – ninguém é de ninguém. E lá foi Zé, bolinando, mordendo, chupando, até que Lilá o fez gozar por diversas vezes. Por fim morfeu os enlaçou numa cortina de sono e os transportou ao paraíso.
Nove horas da manhã, o sol já quase no seu zênite, lá fora os pássaros com seus gorjeios fazem com que Zé desperte de sono de Morfeu. Seus lábios ainda tinham o sabor daquela fêmea, seu fogo ainda ardia. Zé virou-se de lado, iria dar a derradeira, a do mijo. Ao retirar o lençol que protegia a sua escultura, o susto – que que isso? Lilá ostentava um volumoso pênis ereto, da ponta do qual, pendia uma delgada fita de Emplasto Sabiá, a qual havia sujeitado seu membro durante sua aventura como mulher.
Zé naquele momento sentia ganas de vomitar, pois passara a noite inteira enroscado num boiola. Coisas de Marinheiro de primeira viagem.
Aconteceu em Vitória(ES)
Por San Burundi

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