Piadas de Caserna ( contém textos obcenos)
O mulherão
França caminhava sem destino por uma rua movimentada da Grande Vitória (ES), quando de repente, saída não se sabe de onde, um belo exemplar de fêmea atravessa seu caminho, deixando no ar aquele perfume embriagador.
França, que é um jovem oficial do Corpo de Fuzileiros Navais, onde, segundo Raquel de Queiroz estão os homens mais másculos do planeta, sente que a flecha de cupido lhe atinge diretamente o coração. Embriagado pelo desejo de possuir aquela fêmea, o Naval parte para o combate. Faz meia volta, sim porque um combatente Naval nunca retrocede, e avança em direção ao alvo. Cortando caminho por uma viela, o peiador nato vai se prostrar novamente no caminho daquela Deusa de Ébano.
Toda serelepe, Bianca, era assim que ela era conhecida, avança em direção ao nobre Fuzileiro, que ao sentir a aproximação do alvo, lança seu mais potente galanteio – você é a metade que me faltava. Diante de palavras tão amáveis, Bianca sorri, e seu sorriso deixa à mostra um belo e alvíssimo par de dentes, perfeitos, talhados no mais puro marfim. Esse gesto leva à loucura o jovem Tenente, que a essa altura, já se sente o dono daquele monumento escultural. Das conjecturas para as vias de fato foi muito rápido. Um toque, um aperto de mão e a abordagem se completava. Todavia, Bianca tinha pressa, pois iria ao centro da cidade resolver alguns problemas. França não se fez de rogado, marcou logo um encontro.
A bordo do navio, o boy tratou de alardear aos quatro ventos que havia conquistado a mulher mais bela do Espírito Santo.
No dia do encontro, que era um sábado, França convidou os amigos para irem com ele, pois aquela era a sua primeira viagem ao porto de Vitória e não conhecia bem o território. Após alguns tragos todos se dirigiram para o local do abate. O endereço fornecido pela fêmea era o da muito conhecida São Sebastião (Zona do Baixo Meretrício), um lugar prazeroso, onde a diversão era farta e barata.
Á frente, o Velha Guarda era só felicidade, afinal, iria degustar dos prazeres da carne. A galera que o acompanhava era composta por Sargentos, Cabos e Soldados. Todos componentes do seu Pelotão. Ao chegar no endereço, França percebeu que era uma boate, a famosa 86 a boate mais concorrida de São Sebastião. Assim que adentrou ao recinto Bianca veio receber seu “novo” conquistador. Um longo e ardente beijo selou o encontro.
Depois das acomodações de praxe a galera deu inicio aos comes e bebes. O cervejal era promovido pelo Tenente que, feliz como um pinto no lixo, fazia questão de bancar tudo sozinho. A essa altura do campeonato, a fêmea já dominada pelo Boy, beijava-o com sofreguidão e prazer, deixando todos seus comandados com água na boca. Entretanto, o dever convocava sua amada para cumprir com seu papel, pois a dama era Striper na casa. Deixando, a contra gosto, seu amado à mesa, a Deusa de Ébano sobe no palco, sob os mais calorosos aplausos. A música que até então era suave, passa para um tom sensual.
Sobre o tablado Bianca ensaia os primeiros movimentos. Seu olhar é dele, ela é toda dele e ele sabe disso. A navalhada, que a essa altura, já apresenta sinais de embriagues, entra em delírio. A mulata, sim ela era uma bela e sensual mulata, já retira a primeira peça. O coração de França aumenta substancialmente o compasso de suas batidas. Ao fundo uma luz de spot light, acompanha os movimentos da fêmea, que vai tirando lentamente cada peça de seu vestuário. O pegador vai se prostrar junto ao palco, para não perder nenhum detalhe do evento. Bianca retira o sutiã e como num passe de mágica, enlaça o pescoço de seu amado, arrastando-o para o palco. Como um cachorrinho de madame França acompanha sua fêmea até o centro do palco. Nesse momento, a orquestra de Ray Conniff inicia Jet´ame. De joelhos sobre o palco, o naval inicia a retirada da calcinha da “moça”, que com muito carinho, oferece o laçinho esquerdo para ser desfeito. Com um golpe certeiro França solta o laço, para delírio da galera. Lentamente Bianca oferece o outro lado do biquíni para que ele desfaça o outro laçinho. Nesse momento a orquestra para e faz-se um, silêncio sepulcral. Segurando a parte frontal do biquíni, Bianca levemente empurra a cabeça de seu amado para entre suas coxas, solicitando que ele retire a calcinha com os dentes, pelo fundinho. Na platéia não se ouve um único ruído, até a respiração é lenta e imperceptível. A luz do spot light é toda centrada no casal, que ocupa o centro do palco. O pegador vai puxando a calcinha lentamente, até que, de repente, desaba sobre sua face um pênis de 22 centímetros. Nesse momento a boate vem a baixo e a galera solta seu grito de guerra – chupa, chupa, chupa chefe.
Sim era verdade. O pobre Tenente era mais um “Pegador” otário, que caia no conto do mulherão, aplicado por Paulo César Bianchini, mais conhecido como “Bianca”, o travesti mais famoso de Vitória. O pior é que a tropa toda já sabia inclusive o comandante, que foi quem bolou a idéia de aplicar o golpe no pobre Tenente, tudo muito bem ensaiado e combinado com Bianca, que depois fez a alegria da tropa.
Fato Verídico, ocorrido durante a Operação Dragão 1976
Por San Burundi

Mulher de Angola
O veículo rodava pela estrada deserta de um povoado de Ruambo. Ao volante Jorge Ribeiro. pensava na família. Fazia seis meses que ele estava naquela missão e nada, nem uma mulherzinha para lhe aquecer nas noites frias da África Angolana. Seu corpo, apesar de sedentário, pois não era muito chegado a exercícios físicos, necessitava de amor, amor de verdade, aquele que provoca arrepios na espinha dorsal. Sim, o Velha-Guarda queria amor, mesmo que fosse de um Boy. Esses pensamentos acabaram por conduzi-lo a um bar, onde seus amigos de farda comemoravam alguma coisa, que ele não sabia bem o que era, mas havia cachaça e isso era o que importava.
A entrada daquele pardieiro mais parecia a entrada do inferno. Sujeira por toda parte, as paredes eram grotescas, deixando antever as madeiras que compunham a edificação. A um canto algumas negras, com os corpos desnudos deixavam perceber seus seios fartos e caídos como mamões papaia. Todavia, precisado como estava, JR se animou, afinal a coisa não era tão feia quanto parecia, pois as mulheres tinham o que ele procurava. Era bem melhor que se render aos caprichos do velho cozinheiro que durante a noite fazia o papel de Boy, para aplacar a sede de desejo da tropa.
A bebida servida era de baixíssima qualidade, mas como diz o ditado “ O Fuzileiro Naval é superior a tudo”. Dessa forma, aquele “goro”desceu rasgando as tripas gaiteiras de JR, que a cada peido, queimava o fundo da cueca, mesmo assim ele insistia em beber. Lá pela décima beiçada o “pegador” observa que no fundo do salão havia uma bela negra, que sempre que ele olhava, lhe sorria com frenesi. Não se sabe ao certo se ela era bela ou se era o efeito do álcool. Entretanto, a visão do inferno havia se transformado no paraíso, pois aquela “rainha” iria lhe acalentar a noite. De um só golpe JR foi se prostrar ao lado da fêmea, que com um sorriso desfalcado (sua boca só tinha o dente siso) mostrou-se toda solícita.
Alzira, era como se chamava a negra, abre o coração para o velho Naval. Sua vida, desilusões e até a morte de seu companheiro sobre uma mina terrestre. JR que era especialista em desminagem (estava ali para isso), prometeu que regataria o corpo do seu marido para que ela pudesse lhe dar um enterro digno. A mulher com os olhos marejados, agradeceu ao velho Fuzileiro com um beijo, que quase o levaria a regurgitar toda a alimentação ingerida antes. Mas, o amor é lindo e JR não iria decepcionar seus comandados que torciam por ele no outro lado do balcão.
No afã de ser feliz, o Velha-Guarda convida Alzira para sair com ele. A mulher, necessitada de grana, faz um preçinho camarada, até porque havia a promessa de resgate do corpo.
Ao adentrar o cafôfo de Alzira, JR quase desmaia. As paredes, feitas com ripas de madeira, deixavam a luz da lua penetrar, dando um ar romântico ao local. Não fosse pelo mau cheiro que vinha do quintal, aquela seria uma noite inesquecível, na verdade foi, pois nem ele nem seus companheiros esqueceram daquele evento.
Deitada sobre a cama Alzira chamava seu novo homem – vem meu Rei, venha maltratar o meu ximbico, chegue meu velho. O sub velho olhando aquela caverna negra adornada com uma espécie de pimenta do reino, parte pro abate. Todavia, a bebida havia lotado sua bexiga e ele necessitava urgentemente urinar. Mas, não havia tempo, a creoula reclamava sua presença na tarimba. Como de praxe, um Fuzileiro Naval jamais foge a luta, assim o velhão, após envernizar a ferramenta, pula sobre Alzira penetrando seu corpo com sua baioneta afiada, provocando suspiros de prazer na fogosa creoula, que se contorcia como uma cobra, tentando levar JR ao delírio. Todavia, naquele momento o que o velho Naval mais queria era mijar, já não agüentava mais, sua bexiga estava a ponto de explodir.
Sob ele Alzira gemia- eu vou! Eu vou! Eu vou! E ele pensa – eu também vou. No momento exato em que Alzira desaba, numa freqüência frenética de vai e vem, o Velha-Guarda explode num gozo que parece aliviar sua bexiga. Sim, ele estava mijando, mijava descontroladamente e aquilo era melhor que gozar. De repente, a luz se acende e um grito ecoa no ar – Jorge seu filho da mãe! Você está mijando na minha penteadeira!
É verdade aquilo não foi só um sonho, foi um grande pesadelo. Jorge Ribeiro mijou toda a penteadeira de sua esposa, êta cachaça nojenta.
Fato verídico
Por San Burundi.
O busto que prendia
Quem não se lembra do Glorioso Marquês de Tamandaré, pois é, para quem não se lembra ele é o Patrono da Marinha do Brasil. Dizem os antigos que apesar de herói, o velho Almirante era muito rasteiro (Caxias) e sempre que podia, mandava para as grades todos aqueles que se desviavam da rígida disciplina naval.. Todavia, essa estória não se deu no tempo do velho almirante e sim na década de 1970. Espósito, um gaúcho de Uruguaiana, servia no Corpo de Fuzileiros Navais, era soldado raso mais tinha pavor da famosa Faxina do Quarto - Dalva. Essa era a faxina diária que toda a divisão de serviço fazia por ocasião da Alvorada.
Dalva e alvorada têm tudo a ver com a estrela Dalva. Às seis horas da manhã quando o corneteiro tocava a alvorada a estrela ainda era visível no céu, daí o nome de quarto – Dalva, não tendo qualquer relação com limpeza no quarto da dona Dalva. Pois bem, o gaúcho repudiava essa faxina porque sempre era escalado para passar Kaol no busto do Almirante Tamandaré.
Um belo dia o soldado revoltado com aquela implicância do Sargento de dia, que sempre lhe escalava para a dura missão de lustrar a cara do velho Almirante, passou a golpear a face do velho com a esponja e dizer – velho safado destes muita cadeia nos navais. A cada lambuzada de Kaol o soldado repetia a frase. Sem que Espósito percebesse o oficial de serviço se aproximou e ouviu aquela cantilena. No dia seguinte o soldado foi levado a audiência com o comandante do Batalhão. A acusação? Agredir um oficial general. O delito lhe custou dez dias de prisão rigorosa. Sim, o velha-guarda seguia prendendo navais, mesmo depois de morto.
Por San Burundi
O Velho Fuzileiro
Aquele garoto tinha um sonho, “ser Fuzileiro Naval”. De família humilde, pouca instrução, baixa estatura e pouco peso, tudo conspirava contra mas, ele tinha um sonho “ser Fuzileiro Naval”. O tempo passa e o menino cresce, porém continua sonhando em “ser Fuzileiro Naval”. Com catorze anos o rapaz consegue seu primeiro emprego com carteira assinada. Na oficina onde trabalha ele aprende um ofício, todavia, continua sonhando “ser Fuzileiro Naval”. Um dia ele encontra um velho Fuzileiro que lhe presenteia com uma ficha de inscrição para o curso de formação de soldados fuzileiros. O jovem se enche de emoções, afinal iria realizar seu grande sonho “ser Fuzileiro Naval”.
As provas foram difíceis, pois o grau de instrução do jovem era muito baixo, ele era autodidata, mas impulsionado pelo sonho ele acabou fazendo uma boa prova. O tempo passa como um cometa e o esperado resultado não chega. A vida começa a pregar-lhe uma peça de mau gosto. Durante o tempo de espera do resultado, a Pátria lhe chama e ele é obrigado a se apresentar no Regimento de Cavalaria do Exército, onde acabou se incorporando, entretanto ele ainda acalentava um sonho “ser Fuzileiro Naval”.
Um dia um fato novo. Ao chegar a casa sua mãe lhe entrega um telegrama. Ao abrir seus olhos se encheram de lágrimas, havia passado na prova dos Fuzileiros Navais, mas a vida ainda ia lhe pregar algumas peças. O jovem conta seu drama ao comandante de sua companhia que solidário a ele lhe concede uma dispensa de incorporação. Pronto, o caminho estava aberto. No dia da apresentação ele experimenta dois sentimentos fortes: alegria, por estar realizando seu grande sonho “ser Fuzileiro Naval” e ; dor, pois no primeiro dia ele foi levado à uma ilha (Ilha das Flores – Niterói) onde teve início ao martírio de capinar, cavar, varrer etc. Passados alguns meses e muita faxina, o jovem finalmente é enviado para o Centro de Recrutas “mais alegria e sofrimento”, pois agora além de capinar, varrer e cavar ele também é obrigado a estudar, correr, pular, nadar tudo em prol da Marinha. Dizem - corre Boy e ele corre. Pula Boy e ele pula. Ele questiona e dizem – você é muito Boy, tem bastante gás pra dar, queima (estudar) pra Cabo que melhora.
O soldado busca os bancos da escola, queima e um dia, outra alegria, passou na prova de Cabo. Mais alegria e sofrimento e, em fim, Cabo. Ele pensa – Bem agora vou usufruir, ledo engano, lhe dizem traz esteiras Boy – hei! Eu sou Cabo. É mas és muito Boy, queima pra sargento que melhora.
Conselho dado, conselho aceito, o Cabo Boy queima e no ano seguinte já está na escola de Sargento. Entretanto a rotina foi a mesma, alegria e sofrimento continuaram a fazer parte de seu cotidiano. Para piorar a situação, agora além de correr, pular, carregar esteiras ele também é o responsável pelo seu grupo, se não formam a culpa é toda sua, se não cortam o cabelo a culpa é sua, porém ele questiona e a resposta é a mesma – tu és um terceiro sargento muito Boy. Ele então pensa – tudo bem, um dia serei antigo.
Mais uma promoção. A responsabilidade aumenta, pois o número de Boys sobre sua responsabilidade é maior, mas a resposta é sempre a mesma – você é um segundinho Boy demais, vá queimar pra fazer o curso de Aperfeiçoamento. Ele queima e depois e alguns anos chega a tão sonhada promoção. Bom, agora é correr pra galera. Como? Sargenteante? Putz grila, isso é muita sacanagem. Agora ele é o responsável por tudo que acontece na Companhia. O tempo também aplicou no velho sarja uma boa surra. Seus cabelos grisalhos já demonstram que suas energias estão minadas. Ele questiona e dizem, bem vocês já sabem, é a coisa de ser Boy.
O velho e barrigudo Sargento volta a estudar e depois de fazer o último curso da carreira, entra na porta do funil para “em tese” receber sua última promoção na ativa. Bem agora é pra valer, sofrimento e dor jamais. O Suboficial é o Almirante das praças, dizem os antigos. Agora é orientar os mais jovens ecessorar os mais antigos. Que nada, lá vai o velho Sub, puxando a cadência, pulando, faxinando e sendo o responsável, agora por todo o quartel. Ele questiona e não há resposta.
Um dia, o velho Sub, fiel à disciplina, cai como um pássaro, atingido por um infarto agudo do miocárdio. Comoção geral. Entretanto, vocês lembram daqueles que diziam “Vai queimar Boy”? Pois é, agora eles perguntam – por que é que esse velho brocha estava correndo no meio dos Boys?
Fato Verídico
Por San Burundi
O desembarque
A viagem estava marcada para as 5 horas da manhã. Jia Preta, que era o motorista do caminhão de combustível, foi para o bar da esquina se abastecer, pois iria ficar 15 dias na Ilha da Marambáia, longe de sua amada, a velha e tradicional cachaça. Bebendo ali tão perto do batalhão ele não corria o risco de chegar atrazado ao quartel. Quando a galera passou, pouco mais da meia noite, Jia Preta foi levado pela turma que entraram no quartel e foram direto para o rancho onde estava sendo servido um engodo a base de ovos, farofa de carne seca e banana.
As três horas da manhã o corneteiro abriu o bico com sua corneta infernal, fazendo a navalhada saltar dos beliches. O desjejum foi ovos cozidos com pão e manteiga. O cabo velho encheu o bucho de ovo com leite, comendo tanto que faltou ovo para os demais companheiros. A parte terrestre da viagem foi tranqüila. Jia Preta dirigia seu caminhão quase que pelo automático, sem muita complicação. Entretanto, no momento de embarcar a viatura na Lancha de assalto a coisa degringolou. O Cabo velho tentou liberar um inodoro (peido), ai a coisa fedeu. Como peido não tem caldo, o velho Jia se borrou mesmo.
A lancha já havia dado a largada para o local do desembarque. À frente, o Tenente dava as últimas instruções ao pelotão, enquanto que o cabo velho se contorcia todo, pedindo a Deus que a lancha atracasse para ele liberar um barro. Dentro do seu ventre as cachaças do dia anterior, misturada com o leite e os ovos do café da manhã faziam uma grande revolução. Aquilo era uma carga explosiva pronta para detonar, provocando um barulho danado no seu estômago.
A lancha singrava o Mar da Marambáia e a praia já era visível. O Tenente dá a ordem de preparar para atacar e seus soldados se posicionam à retaguarda da lancha, para facilitar a abicagem.
Ao lado da viatura, Jia Preta, que a essa altura do campeonato já estava verde, conta os segundos que restam para a abertura da rampa da embarcação. Ao tocar o solo da praia a prancha é aberta e um grito corta o silêncio da Ilha da Marambáia – Atacaaaaaaar! Numa demonstração de bravura a tropa abandona o barco, em direção ao inimigo. À frente, o Cabo-Velho já desabotoava as calças para defecar. A menos de cem metros da praia, a tropa dobra a direita e some no interior da selva.
Jia Preta, que havia tomado outro rumo, busca uns arbustos, localizados à margem da trilha. Ao atingir seu objetivo o Cabo-Velho, que não teve sequer tempo de abaixar, despeja um jato de fezes, que quase lhe estraga o cofrinho. No mesmo momento, uma cobra Jararaca sai de baixo do cagão com um lastro de merda nas costas, procurando desesperadamente por uma poça d água para se lavar.
Se não fosse a pressa de Jia Preta, a cobra tinha lhe mordido o rabo.
Fato Verídico
Por San Burund

Quem Phode Beija?
Leandro era um cabo velho que apesar de ser da arma de Engenharia, passava os dias cortando o cabelo do praçame do Batalhão de Engenharia. Todavia essa mordomia acendia a inveja e a cobiça dos outros praças que, cansados de construírem pontes, passadeiras e campos de minas, sonhavam com a possibilidade de executarem tarefas administrativas. Foi assim que, um certo dia chegou ao Batalhão, um Oficial extremamente rasteiro (Caxias), que ao assumir a Companhia de Engenharia, determinou que todos os que se encontravam fora de suas funções deveriam retornar.
Dessa forma a mordomia de muitos desviados de função acabou. Esse foi o caso de Leandro, o Barbeirinho, que já contava 40 anos de idade. O Cabo-Velho passou a acompanhar a Companhia em todas as manobras. Aquilo era o inferno, pois Leandro além de velho era muito preguiçoso. Sempre que podia se escamava das missões.
Um dia o Tenente, atendendo ao apelo dos Sargentos, que não suportavam as escamações do Velho Cabo, determinou que ele iria compor o Pelotão que seria designado para abrir uma estrada na Ilha da Marambaia. Leandro entrou em pânico, pois essa era a pior tarefa do Batalhão.
Durante a viagem o Cabo-Velho era explorado pelos Sargentos, que destinavam a ele toda tarefa “impossível”. Na chegada à Ilha, toda tarefa pesada era do Cabão, que cansado de tanto trabalhar, ficava pelos cantos se lamentando com os soldados. O trabalho era pesado, pois no dia seguinte a Companhia teria que preparar um longo trecho de estrada, sem os devidos recursos (pra variar). Assim, coube ao velho Leandro a tarefa de cortar troncos para reforçar as pontes. Ao cair da noite, o pelotão foi dispensado, menos Leandro, pois seu serviço não havia terminado. Lá pelas nove horas da noite o Cabo-Velho se apresentou ao Tenente para dar o pronto da tarefa. Naquele momento todos estávamos a beira de uma gostosa fogueirinha nos aquecendo do duro frio do mês de junho. Abatido e triste o Cabo-Velho se volta pro Tenente e diz – chefe eu posso lhe fazer uma pergunta? Claro – disse o Tenente – mas, o senhor vai responder com sinceridade? Retruca o Cabo. O Tenente depois de nos olhar responde - claro que sim, pode perguntar. O senhor quando faz amor com sua esposa o senhor a beija? O tenente meio sem graça responde – é dou uns beijinhos, por que? Chefe, pelo amor de Deus me enche de beijos porque o senhor vem me phodendo desde ontem.
Naquela mesma noite o Tenente deu outra Phoda (sem direito a beijinho) no Cabo-Velho, cinco dias de prisão rigorosa por se dirigir ao superior de maneira desrespeitosa.
Fato Verídico
Por San Burundi.





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