Palhaço não

Artista de circo sim, mas não nasci para sê-lo. Sempre vivi com muito zelo e dedicação. Fiz as coisas ensinadas, na escola ou em casa, coisas do meu coração.
Fim de comédia sim, pois a vida é uma peça onde o pobre interpreta o papel de dramalhão. Faz careta sobe escada, repetindo macaquices, animando o povão.
Bobo da corte pode ser, pois na corte da elite, essa nossas esquisitices servem como animação. Nesses palcos espalhados na planície, nos cerrados, inclusive no sertão.
Gaiato é demasiado, pois eu pego no pesado revirando o lixão. Sempre em busca da comida, que o rico desperdiça, e que eu transformo em pão.
Pela – saco é sacanagem, pois a minha malandragem e viver de imitação, em minha vida imito a arte, canto e danço de verdade, ando em cima do cordão.
Palhaço não! Pois respeito o dramalhão que labuta nesse ofício e faz do circo profissão. Alegrando a criançada degustando marmelada, com nariz de pimentão.
Pobre sim, mas orgulhoso, porque mesmo andando roto, vivo com honestidade. Minhas mãos as tenho limpas, pois espero que Deus consinta encontrar felicidade
Por: San Burundi

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