De casa em Casa
Casa de barro bem fabricada, presa no galho não tem escada, serve de cela à sua amada.

Casa de palha, improvisada, presa no lustre da minha sala, pássaros soltos dentro de casa.
Casa de lama toda molhada, perto da praia, são caranguejos subindo a escada.
Casa de areia sob a calçada, organizada, muitos soldados guardando a entrada.
Casa de cera dependurada, adocicada, flores do campo são visitadas.
Casa furada, muito alongada, amadeirada, portas e janelas danificadas.
Casa de toras, emparelhadas, bem arrumadas, água do rio é represada.
Casa de seda, bem enrolada, esbranquiçada, metamorfose bem complicada.
Casa de fios, teia armada, esparramada, pega as vítimas desavisadas.
Casa de panos, caixa arrumada, muito mimada, pêlos caídos sobre a almofada.
Casa de vidro, bomba ligada, pedras pintadas, plantas flutuam dentro da água.
Casa de pedras avarandada, parede armada, gente que grita descontrolada.
Casa escondida ou declarada, da bicharada, casas que cabem dentro de casa.
Por: San Burundi

Do Melhor
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del.icio.us
Samuel,
Gostei muito da poesia "De casa em casa". Me remeteu não só a casas, mas também as mulheres...Será que a relação cabe?!
Haja tantas casas e mulheres em suas pluralidades!
Abçs.,
Edson Silva
Edson Silva | 29-11-2007 - 10:28:50 GMT 1 #