Cale-se!

Pai! Afasta de mim esse cale-se, tira de meu coração esse medo, de revelar o segredo, que trago dentro de mim, Sei que tudo, na verdade, precisa de maturidade para se modificar. Mas, se passaram tantos anos, de lutas, de desenganos e apelos sociais. Porém se a justiça é cega, diga Pai, por que se nega a me ouvir e a me dar razão? Tu sabes que na verdade, essa tal felicidade e a mais pura enrolação. Sou como uma alegoria, que só desfila no dia da festança do povão? Não Pai, isso não é verdade, alegoria é falculdade do simbolismo e da expressão. Simbolos, figuras e imagens, representam na verdade, toda nossa opinião. Por isso sigo calado, pelo medo amordaçado sem expressar minha dor, dor que mata lentamente, pois não há cristão que aguente, viver sem opinião. Por isso Pai eu te peço, "deixe-me gritar, gritar, gritar, até que eles me possam ouvir. Talvez assim eu consiga dormir, com meu coração em paz. Vou gritar um pouco mais, até o mundo acordar. Não, não posso mais calar, sei que fui criado para isso. Calar, calar, calar, mas até quando Pai?
A fome me fragelou, meu mundo se desmoronou levando-me para o chão, e tu me dizes pra calar? Não Pai, não suporto mais, quero vida quero paz, quero ainda um pouco mais, escolas multiraciais, onde aqueles anormais sejam tratados como iguais. Quero casa, quero comida, um jardim com margaridas, enfeitando esse meu chão. Quero em fim uma noite linda, pra esse dia que se finda com essa triste Oração.
Cale-se!
Vistes Pai? não podemos nem Orar em paz.
Por: San Burundi (O Congolês)

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