Crônicas da vida cotidiana

O incêndio
O som da sirene, que soava lá longe, vai se aproximando até que se torna ensurdecedor. Os bombeiros saltam velozmente da viatura e iniciam o desenrolar das mangueiras. Nesse momento, um forte cheiro de queimado penetra em minhas narinas. O odor é insuportável, parece uma espécie de comida azeda sendo torrada. Alguém, saido não sei de onde, me dá um safanão gritando - Sai daí! tá tudo queimando! Desesperado dou um salto, o que me faz bater com a cabeça na mesa de centro. Abro os olhos e o odor de queimado aumenta. Corro em direção à cozinha. Sobre o fogão, uma panela cheia de angu queima, desprendendo um forte cheiro. De um toque apago o fogo.
É se em meu sonho alguém não houvesse chamado os bombeiros a casa havia pegado fogo.
Por: San Burundi (O Congolês)
Maria da Boa Morte
Sentado no banco do ônibus observo um belo exemplar de fêmea, que sentada no banco oposto ao meu, teima em sorrir para mim. seu sorriso é estranho, porém me cativa.
Ela se levanta e dá sinal para saltar. Com um sorriso me convida e eu, sem titubear desço junto. Me aproximo e ela, num ato de ousadia, me enlaça com seus braços frios, fazendo-me tremer dos pés à cabeça.
Pergunto seu nome e ela me responde - eu me chamo Maria, Maria da Boa Morte. Nesse momento entro em desespero. Tento me desvincilhar dela, mas não consigo. Seus lábios tocam os meus, transmitindo um frio que congela até minha alma. Imediatamente começo a Gritar - socorro! socorro! Nesse momento, alguém com mão potente me segura pelos ombros e com vóz firme pergunta - o que foi? Nada, respondo eu, foi apenas um sonho.
Por: San Burundi (O Congolês)
O susto
São onze e cinqüenta e nove da noite e eu caminho por uma rua deserta e, por incrível que pareça, estou só. As pessoas passam por mim com seus passos apressados, indo em direção às suas casas, mas eu estou só. Observo em cada rosto, um ar sombrio e assustador e isso me provoca arrepios, mas eu continuo só.
Numa esquina, um grupo de boêmios embriagados discutem banalidades num tom de vóz embargado pelo àlcool, fato esse que provoca os latidos de um cão vadio, mas eu ainda estou só. Caminho mais dois quarteirões e, de repente, sinto que algo ou alguém me persegue. Procuro desesperadamente por um local para me abrigar. O medo toma conta do meu ser, tento ser forte mas as pernas estão tremulas, a garganta apertada e a boca seca. Todo meu corpo está dominado pelo pavor e o que é pior, estou só. Me ponho a correr e em minha corrida percebo um prédio iluminado e aberto. Não penso duas vezes, penetro no prédio e, Meu Deus! Minha salvação! O elevador está com a porta aberta. Entro no elevador fecho a porta e dou partida. primeiro, segundo, terceiro andar, graças a Deus estou salvo. De repente o elevador pára.Minha mãe! O que será que aconteceu? O medo volta a me dominar, as mãos começam a suar descontroladamente - que houve? As trevas tomam conta do recinto, não há energia e a escuridão é total. Nesse momento passo a ouvir vozes. O medo se transforma em pavor. Tento sair e não consigo. O ar me falta, o som é mais forte e o que é pior, estou só, só e desesperado. Alguém me toca - Socorro! Um forte clarão quase deflora as meninas dos meus olhos - socorro! Que houve? Pergunta minha mulher espantada - Nada, respondo eu, foi apenas um sonho.
San Burundi (O Congolês)

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