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História, contos e poesia
Blog criado no dia 17 de setembro de 2007, com a finalidade de divulgar textos histórico, bem como contos e poesias tanto do autor San Burundi como de outros autores.

12/02/2008 GMT 1

Verdade, mentira que nos faz viver

sanburundi @ 01:49


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Se você souber me responda, o que é a verdade?

Uma brincadeira? Uma troça? Ou quem sabe uma mentira oposta? 

A verdade tem pernas curtas ou vive numa saia justa?

É alegre é faceira ou vive como rendeira?

Tecendo labirintos parcos? Ou se esconde sob o sapato?

É um escrito atrás da porta ou sorriso de uma Inêz morta?

Mentiras do dia-a-dia ou uma denuncia vazia? Afinal, o que é a verdade? 

A arma do suicídio ou morto desassistido?

A lida de quem labuta ou o sorriso da prostituta?

Quem é essa ilustre senhora que por ela a justiça chora? O mentiroso se apavora e o cético a ignora. 

Puxa! Como é complicada essa filosofia, que a todos desafia com a sua geografia de desvendar a história. 

Por ela Sócrates perdeu a  vida, numa triste despedida para entrar na memória.  

Mas, eu torno a perguntar, o que é a verdade? 

Seria uma ilusão a toa, uma trova uma loa, flagrantes de uma memória? 

Sinceramente?  

A verdade é uma grande mentira que alimenta a nossa vida, e escreve nossa história. 

Por: San Burundi

30/01/2008 GMT 1

paixões proibidas

sanburundi @ 01:05

Quando a conheci, eu tinha apenas dezesseis anos, ela, eu não sei. Fomos apresentados por um carinha, que se dizia ser meu amigo, que momento antes havia me pago umas cervejinhas. Foi amor à primeira vista, me enlouquecia, nosso amor ascendeu a um ponto que eu já não conseguia viver sem ela, mas era amor proibido, meus pais não aceitavam e fui repreendido na escola. Assim, passamos a nos encontrar às escondidas. Até que não deu mais pra evitar.

 

Fiquei louco, pois eu a queria e não a tinha, eu não podia viver sem ela, não podia permitir que me afastassem dela, eu a amava desesperadamente, eu a queria, eu a desejava.

 

Bati o carro, quebrei tudo dentro de casa, quase matei minha família. Roubei meus avós, furtei coisas dos meus amigos e até pratiquei pequenos assaltos, tudo para dar-lhe boa vida e tela perto de mim, estava louco, não podia viver sem ela. Perdi meus amigos, a estima e a moral, passeia perambular pelas ruas. 

Hoje tenho dezenove anos, estou internado num hospital de uma cidade que nem sei onde fica abandonado por meus entes queridos e principalmente pelos amigos. Do amor doentio por ela só restou seqüelas. Uma maldita dependência e um Hiv adquirido por partilhar ela com outras pessoas.

 O nome da maldita? Cocaína

 Foi esse o grande amor da minha vida, vida que foi breve, pois sei que quando esse bilhete for lido já estarei morto.

Amigo! Afaste-se dessa vadia, pois ela é linda, tem muitos atrativos, transforma-te num super homem para depois te levar ao fundo do poço.

 Cuidado! A Cocaína é uma droga. 

Texto encontrado entre meus alfarrapes, datado de 1986,  cujo autor eu desconheço.

 San Burundi

Solidariedade

sanburundi @ 00:56



A solidariedade é um sentimento mais forte e mais profundo que o amor. Ela existe em todos os seres da natureza.

É comum uma árvore ceder seus frutos para servirem de alimento às aves e animais vegetarianos, além de doar suas folhas secas para servirem de adubo ao solo, ela também doa sua sombra aos vários transeuntes, contribuindo para refrigerar o clima.

O tubarão que é considerado o maior predador dos oceanos, é solidário às rêmolas, convivendo com elas em perfeita harmonia.

Com o homem não poderia ser diferente, ele ama a esposa, os filhos, os pais e até os amigos. Porém, não é capaz de amar a um estranho. um inimigo nem pensar. Entretanto, quando ocorre uma calamidade ele está ali, pronto a ajudar, seja salvando vidas desconhecidas, doando sangue, roupas, utencílios domésticos ou comida. O interessante é que quase sempre se trata de pessoas estranhas ao seu convívio.

Esse sentimento que brota de dentro para fora é o que chamamos de solidariedade. É um dom natural que leva o homem a se doar, sem esperar nada em troca, sem propaganda ou estardalhaço. É algo que se faz por amor ao outro. Assim, solidariedade é doar com amor, repetindo o que o mestre Jesus dizia "dar com a mão direita sem que a esquerda perceba". Fora disso, a solidariedade se transforma em esmola e esmola avilta o homem, transformado o esmoléu em um dependente do doador.

a Solidariedade é a expressão maior do Grande Amor Fraternal

24/01/2008 GMT 1

Poema do Topógrafo

sanburundi @ 03:37



Lomalinda, nessa tão feliz colina, que começa numa esquina, vai ao fundo da visão.

Que as vezes fica turva, nos desníveis que são curvas, que parecem obscuras, formas de ondulações.

Quem explica é a Geografia, que é mãe da topografia, ramo dessa teoria, que estuda nosso chão.

Toponímia dita regras, para aquele que agrega, acidentes, vales, bosques ou põe nome no vulcão.

Mapas, Cartas com escalas, suas linhas quase falam, ao atento que estuda, gama de informações.

Marginais ou complemento, é preciso estar atento, pois com tantos elementos, nos permite precisão.

Para se plotar um ponto, é preciso coordenadas, de outra forma o camarada, não termina a missão.

Por: San Burundi (O Congolês)

VAI ENTENDER ISSO!!!

21/01/2008 GMT 1

Poema da minha ilha

sanburundi @ 02:50



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 San Burundi No Forte Orange ( Itamaracá PE)

 

Não estar em Paquetá, é difícil de encarar, pois para mim não há lugar mais perfeito pra morar.

Mas, aqui é um bom lugar, onde gretchen tem um lar e vai se candidatar, para a ilha governar.

Ruas ainda por calçar, casas tal qual um alguidar, bambus e barro pra tapar, sapê  curtido pra telhar.

Praia mansa pra se banhar, água de coco pra hidratar, palmeira quase milenar, linda morena a paquerar.

Peixe fritinho pra petiscar, chope gelado pra refrescar, Ostra e Marisco pra incitar, ducha gelada pra acalmar.

Gente que corre pra mergulhar, dois repentistas de bar em bar, bêbado chato a incomodar, conta salgada pra variar.

Falo da ilha, não da de lá. Ilha que Lia vive a cantar, bem parecida com Paquetá, mais conhecida como Itamaracá. 

Por San Burundi (O congolês)

16/01/2008 GMT 1

Mais um Burundi logra êxito

sanburundi @ 02:38

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O fera Vinícius Douglas, filho do Poetinha pretinho San Burundi, é classificado para o curso de matemática da UFPE.

Este é mais um Negro (Burundi) que  burla a escrita e ocupa seu lugar na fila dos futuros formandos de uma Universidade pública, sem o auxílio luxuoso das "cotas".

Parabéns meu guri, que o Grande Pai Celestial te ilumine e guarde.

15/01/2008 GMT 1

19 de fevereiro de 1970

sanburundi @ 02:59



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 Fale a verdade eu era um belo negro não?  

Ah o tempo! Esse meliante rouba nossa juventude, deixando em seu lugar rugas, rusgas e grandes recordações.

Poema de minha infância

 Ai que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, a minha infância perdida vivida lá em Meriti.

Nossa família sofrida, travando luta renhida, naquela triste agonia, a fome tentar carpir.

Éra-mos  nós dezesseis, mas oito não tiveram vez, nem reza de dona Inêz, lhes fizeram resistir.

De fome perderam a vida, doenças adquiridas, às vezes muitas feridas, difíceis de resistir.

Mas, eu lutei com bravura, sofri por minha pele escura, a fome matei nas ruas, assim eu sobrevivi,

De tudo restou saudade, que hoje meu peito invade, lembrando da mocidade vivida em Meriti.

Meu Deus! Como sofri! 

Fale a verdade eu era um belo negro não?  

 Por: San Burundi 

Subindo o rio

sanburundi @ 00:57


Estou subindo o rio, um rio que de longe vem, eu também venho do Rio, que é cidade como Belém. 

Entramos no local de destino, no rio que emite sua voz, linda Santarém dormindo, às margens do Tapajós. 

Água turva e colorida, verde selva como jamais vi, o Amazonas é uma avenida, com ruas como o Jarí. 

Como sobrevive esse povo? Da fauna da flora e da pesca, retornarei aqui de novo, para vê-los felizes na floresta. 

Nessa missão importante, a Marinha desbrava a Amazônia, ampliando os horizontes, unindo Chuí a Rondônia. 

Santarém não visitei. Que importa? Se é bela, nos seus rios naveguei, mirando-a pela janela. 

Janela não, escotilha, do navio ou da escuna, o Fuzileiro sempre brilha, nos rios de Arapixuna. 

Depois da missão cumprida, bom filho a casa volta, correndo pros braços da amada, sem precisar de escolta. 

Por San Burundi (O Congolês)  

O encontro

sanburundi @ 00:50

O carro rodava a oitenta quilômetros por hora. A estrada estava escura e deserta, já passava da meia noite e o silêncio era rompido apenas pelo ronco barulhento do motor.

As árvores passavam pelo veículo como figuras fantasmagóricas, aumentando ainda mais o medo que cismava em tomar conta do interior daquela massa humana. Sim, Etevaldo era tão disforme que mais parecia um hipopótamo, o que era um martírio, pois por causa da obesidade ele não conseguia conquistar alguém que lhe desse um pouquinho de alegria. A solidão, a tristeza e a amargura tomavam conta de todo o seu ser.

O veículo seguia por uma reta quase interminável e, Etevaldo absorto em seus devaneios, apenas fixara as vistas na faixa central da pista. Lá fora a escuridão era total. O pára-brisa refletia a imagem daquele rosto sofrido e disforme. De repente, como que por encanto, Etevaldo vê seu semblante se transformando no reflexo do vidro. Ele está mais jovem e bonito. Seu pensamento navega na nave do tempo e lhe leva à sua infância.

Rodeado de amigos ele brinca em um lindo jardim ornado com belas flores. Nesse momento ele inicia seu retorno ao presente. Naquele instante está em plena juventude. Brinca no parque de diversões, joga bola com os amigos, pula amarelinha com as meninas, brinca de carniça, rouba goiaba, em fim, faz tudo que um adolescente de seu tempo gostaria de fazer. Quanta felicidade, ele é muito feliz.

Agora é um rapaz forte, muito bonito e se vê caminhado ao lado de Isabel, a garota mais bonita do bairro. Todos a queriam, mas ele fora o eleito de seu coração. Eram felizes.

Agora a cena é a do seu casamento. Isabel traja um lindo vestido branco ornamentado com perolas. Ela está linda com seu buquê de flor de laranjeira na mão. Ele de fraque negro, parecem saídos de um conto de fadas. Ela sorri para ele. Amam-se muito, é pura felicidade.

Os anos se passam e, num fatídico dia, Isabel sofre um grande acidente. Etevaldo entra em pânico, ela está muito mal, ele segura sua mão e implora – meu amor não me deixe, por favor! O coma profundo não a deixa responder. Ele se desespera. A agonia toma conta do seu interior. De repente um estrondo acompanhado de um forte clarão inunda o ambiente.

Amanhece e os camponeses que saem em direção às suas roças encontram o carro, batido de frente, em uma árvore frondosa. Dentro do carro uma massa humana disforme, porém o morto ostenta um largo sorriso.

É, Etevaldo batera na mesma árvore que se acidentara sua doce Isabel. Dizem que até hoje, naquele lugar, é possível ver um casal de namorados, abraçados e felizes sob o velho pé de Carvalho. 

Crônica escrita por: San Burundi (O Congolês

13/01/2008 GMT 1

O dono do pelegasso

sanburundi @ 02:18

Esta crônica foi escrita como um desafio à minha professora de produção de textos, Simone Oliveira que duvidou de minha capacidade de transformar um texto de Machado de Assis (O Vergalho), numa crônica satírica. A base do texto é a mesmo do texto de Machado de Assis. 

Devaneava eu valongo a fora, quando fui interrompido por risos, que se misturavam às súplicas de um homem, as quais ecoavam por todo o vale. Cheguei-me ao ajuntamento e só ai eu pude perceber que era um preto que açoitava outro, em plena praça. O “outro” não se atrevia a fugir, gemia somente estas únicas palavras

– perdão meu amo, meu amo perdão! Mas o preto não fazia caso e a cada súplica respondia com mais lambadas, ao mesmo tempo em que gritava

– toma mais perdão seu descarado!

- meu amo! Dizia o outro.

Cala a boca sua cobra! Replicava o preto.

Estanquei observei... Virgem santa! Quem havia de ser o do pelegasso? Nada mais nada menos que minha mula o Ataliba, aquele que meu pai havia libertado tempos atrás. Cheguei-me; ele reteve o pelegasso e, com o olhar abrandado e a voz embargada pediu-me a benção; questionei!

- este negro é teu?

- é sim meu amo, respondeu-me ele.

Fez-te algo?

-é um vadio, um traidor descarado. Ainda hoje eu o deixei cuidando da nossa casa, enquanto eu ia ao mercadinho e o safardana, saiu pelos fundos para ir se enroscar com a negra Pudina nas macegas da beira rio.

- está bom perdoa-lhe, disse eu.

- pois não meu amo, meu amo manda não pede. Vamos embora seu descarado, disse o preto para o outro.

Saí do grupo, que me olhava espantado, fazendo caras e bocas, e segui caminho, tentando ordenar meus pensamentos. A cena do valongo era trágica e ao mesmo tempo cômica. Aquele preto havia sido minha mula, minha primeira experiência sexual. Eu o tinha como e quando queria. Porém, agora que era livre desagrinholhoado da antiga condição, ele se desbancava; comprara um escravo, para que o mantivesse aprisionado e acorrentado ao seu pelourinho moral.

Por: San Burundi 

Glossário:

Pelegasso – Chicote feito com a pele lanosa do carneiro, (Não machuca)

Mula – Homem que seve de mulher para outro 

Todos os textos aqui colocados são de autoria do Poeta e escritor San Burundi e fazem parte do livro: Histórias, Contos e Poesias para ser lembrado. Editado Pela Livrorápido

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